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DeFi: Circle Adquire Mil Patentes da IBM para Fortalecer USDC em Bancos Globais

Por Redação VerticeCripto
6 min de leitura
DeFi
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Ilustração editorial sobre defi: DeFi: Circle Adquire Mil Patentes da IBM para Fortalecer USDC em Bancos Globais

Circle Adquire Mil Patentes da IBM para Fortalecer USDC em Bancos Globais

A Circle, emissora da stablecoin USD Coin (USDC), anunciou a aquisição de quase mil patentes de blockchain da IBM. Este movimento estratégico, divulgado em 27 de julho, visa aprofundar a integração do USDC com o sistema bancário tradicional e redes de pagamento em escala global. A transação posiciona a Circle como líder em patentes de blockchain nos Estados Unidos, fortalecendo sua infraestrutura para finanças on-chain.

A aquisição abrange mais de 680 famílias de patentes, cobrindo áreas como tecnologia blockchain, serviços financeiros, seguros, infraestrutura empresarial, verificação de cadeia de suprimentos e operações seguras em nuvem. A iniciativa busca alavancar a propriedade intelectual para expandir a adoção de infraestruturas on-chain, conforme declarado por Sarah Wilson, Conselheira Geral da Circle. Este passo é crucial para o avanço do USDC além do trading de criptomoedas, direcionando-o para liquidação, operações de tesouraria e pagamentos convencionais.

Contexto e Detalhes da Estratégia da Circle

A carteira de patentes da IBM oferece à Circle uma vantagem significativa na camada de pagamentos, especialmente onde os ativos blockchain se encontram com sistemas de liquidação e conformidade tradicionais. Uma patente ativa da IBM, “Blockchain settlement network” (US11599858B1), descreve a movimentação de valor digital via blockchain em conjunto com um pagamento off-chain, monitorando a transação até sua liquidação externa. Esta patente, válida até 2041, é classificada em arquiteturas de pagamento e moeda eletrônica, focando na sequência de transferência de ativos on-chain para liquidação off-chain.

Outra patente relevante, “Blockchain compliance verification network” (US11676117B2), detalha a captura de informações de pagamento e a preservação de registros de conformidade e liquidação em uma blockchain. Suas especificações abordam explicitamente a conformidade com AML (Anti-Money Laundering), KYC (Know Your Customer), sanções e mensagens de pagamento ISO 20022. Uma aplicação separada, “Real-time blockchain settlement network” (US20220172198A1), explora pagamentos estilo cartão, descrevendo uma rede de pagamento convencional operando em paralelo com uma rede de liquidação blockchain.

O USDC tem demonstrado crescimento em transações ajustadas de stablecoins, aprofundando sua integração com grandes bancos. Dados da Visa Onchain Analytics indicam que o USDC representou cerca de 70% do volume ajustado de transações de stablecoins no primeiro semestre de 2026, superando o USDT da Tether, que registrou aproximadamente 25%. O volume ajustado atingiu um recorde de US$ 1,79 trilhão em junho, um aumento de 63% em relação a maio. A metodologia da Visa filtra atividades como bots e transferências relacionadas a exchanges para estimar transações economicamente significativas.

Essa liderança transacional do USDC acompanha integrações mais profundas com instituições financeiras. O Standard Chartered, por exemplo, tornou-se o primeiro banco globalmente sistemicamente importante a oferecer aos clientes institucionais a cunhagem e resgate integrados de USDC sem a necessidade de contas diretas na Circle. O BNY Mellon expandiu sua relação com a Circle, tornando o USDC a primeira stablecoin suportada em sua plataforma de custódia de ativos digitais. Apesar desses avanços, o USDT da Tether mantém uma oferta circulante substancialmente maior e uma rede de liquidez global mais consolidada.

A Circle também enfrenta um novo concorrente no modelo de distribuição institucional: o Open USD (OUSD). Lançado em junho pela Open Standard, o OUSD conta com mais de 140 empresas participantes, incluindo Visa, Mastercard, Coinbase e a própria IBM. O OUSD visa uma estrutura de distribuição sem taxas ou limites de volume para empresas, retornando a maior parte da receita de reserva aos distribuidores do token. A participação da IBM tanto no ecossistema OUSD quanto na venda de propriedade intelectual para a Circle destaca a complexidade e a competição no espaço das stablecoins.

Impacto no Brasil e o Cenário Regulatório

A movimentação estratégica da Circle para fortalecer o USDC com patentes da IBM tem implicações significativas para o mercado brasileiro de criptomoedas e o setor financeiro. Com a Lei 14.478/2022, o Marco Legal das Criptomoedas, o Brasil busca um ambiente mais claro para ativos digitais. A robustez tecnológica e a conformidade que as patentes da IBM podem trazer ao USDC são cruciais para a aceitação e integração de stablecoins por instituições financeiras brasileiras. Bancos e fintechs locais, que já exploram a tokenização e o uso de moedas digitais, podem ver no USDC uma opção mais segura e regulatoriamente alinhada para operações.

A maior integração do USDC com sistemas de pagamento e conformidade globais, como AML e KYC, pode facilitar a adoção por exchanges brasileiras e plataformas de DeFi que buscam operar com maior segurança jurídica. Isso pode impulsionar a liquidez em stablecoins pareadas com o real (BRL) ou com o dólar (USDC/BRL), oferecendo mais opções para investidores e empresas. A Receita Federal do Brasil, através da Instrução Normativa 1.888, já exige a declaração de operações com criptoativos, e a clareza na origem e movimentação de stablecoins como o USDC pode simplificar a conformidade fiscal para os investidores brasileiros.

Ainda que o Banco Central do Brasil esteja desenvolvendo o Real Digital, sua própria Moeda Digital de Banco Central (CBDC), a evolução de stablecoins privadas como o USDC, com forte base tecnológica e foco em conformidade, pode complementar o ecossistema. A infraestrutura de pagamentos da Circle, impulsionada pelas patentes da IBM, pode servir como um modelo ou parceiro potencial para futuras iniciativas de tokenização no Brasil, especialmente para transações transfronteiriças ou para a integração de ativos digitais em sistemas de pagamentos como o Pix, que já revolucionou o cenário financeiro nacional.

Próximos Passos e Observações no Mercado de DeFi

A aquisição de patentes da IBM pela Circle é um passo estratégico que pode redefinir a competição no mercado de stablecoins e no setor de finanças descentralizadas (DeFi). A parceria com a IBM abre portas para uma cooperação comercial mais profunda, potencialmente expondo a Circle Payments Network e seus produtos de tokenização à vasta base de clientes corporativos e bancários da IBM. Esta “opcionalidade estratégica”, como apontado por analistas da Clear Street, pode ser um vetor significativo para a adoção do USDC em novos mercados.

Observar a evolução da integração dessas patentes na infraestrutura da Circle será fundamental. O mercado de stablecoins continua dinâmico, com o USDT da Tether mantendo sua dominância em termos de oferta e liquidez global, e o OUSD emergindo como um desafiante com um modelo de distribuição focado em incentivos para empresas. A forma como a Circle utilizará essa propriedade intelectual para navegar nesse cenário competitivo, seja por meio de licenciamento cruzado, parcerias ou, em cenários mais confrontacionais, litígios de patentes, ditará seu sucesso em solidificar a posição do USDC como um pilar para o futuro das finanças on-chain e do DeFi global.

Aviso: Este conteúdo é informativo e não constitui aconselhamento financeiro. Sempre faça sua própria pesquisa antes de investir em criptomoedas.

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